Home > Centro de Conhecimento > CULTURA COMO ÂNCORA DAS CIDADES

05-06-2017

CULTURA COMO ÂNCORA DAS CIDADES

Cultura


A cultura e o lazer são aspetos fundamentais da vida das cidades. Ignorar estes pontos é condenar um município a ficar numa eterna segunda linha do desenvolvimento. Vejamos como algumas se organizam...


A cultura e o lazer como âncoras das cidades. Às cidades modernas é-lhes exigido que tenham uma identidade própria. Que construam e desenvolvam experiências únicas que possam ser oferecidas aos visitantes e residentes, com equipamentos culturais e de lazer vão além das galerias de arte, casas de ópera ou museus. As cidades modernas fazem do seu património, vida noturna e atmosfera global uma virtude. Mais do que isso, desenvolvem uma qualidade intangível de criatividade e inovação. Cidades tão diversas como Vancouver (Canadá), Reiquejavique (Islândia) e Barcelona (Espanha) estão a colher os benefícios das estratégias implementadas precisamente com o intuito de atrair indivíduos e empresas dinâmicas e criativas.

A construção de uma marca identitária enquanto instrumento de promoção e maximização da visibilidade das qualidades de uma cidade/município é fundamental, já que permite a diferenciação face aos seus concorrentes. Importa aqui salientar que "marca" é, nem mais nem menos, do que a experiência que funcionários e cidadãos recebem de um município, ou seja, a imagem que está associada ao governo municipal. Uma marca positiva significa que o governo municipal vive segundo um conjunto de valores que os cidadãos (locais e visitantes) aprovam. O melhor "produto" para gerir a reputação da marca é a confiança ? para o sector público é o equivalente ao valor acionista numa entidade privada.

A "marca" desenhada por Vancouver é cultural. Vejamos o exemplo do "Vancouver Park Board", que tem como missão gerir os espaços públicos dedicados à cultura e ao lazer. Fundado em 1888, este organismo municipal eleito tem jurisdição exclusiva sobre mais de 230 espaços públicos, em benefícios de todas as pessoas, comunidades e meio ambiente, assumindo-se como uma das âncoras da cidade no que diz respeito às ofertas culturais e de lazer.

Para se afirmarem, as cidades precisam de ser uma "marca" identitária. Vancouver escolheu a cultura e o lazer como instrumentos de modernidade, envolvendo os cidadãos na execução de um projeto extensível ao longo de 25 anos...

O seu êxito é também resultado das constantes consultas feitas aos cidadãos, no sentido de os envolver na gestão dos espaços públicos, como é o caso da recente aplicação "VanPlay", que permite auscultar as opiniões dos habitantes de Vancouver ao longo de um ano, com a finalidade de receber "inputs" de residentes e organizações comunitárias. Refira-se que esta é uma etapa de um plano desenhado a 25 anos (!) pelos responsáveis políticos de Vancouver. A organização do "Vancouver 2010 Cultural Olympiad"é um de entre muitos exemplos que esta cidade do Oeste do Canadá tem para oferecer aos visitantes, enquanto pólo aglutinador de riqueza cultural.

Reykjavik Arts FestivalNa Islândia, e concretamente em Reiquejavique, a afirmação da marca local passa por uma estratégia diferente: sabendo-se da enorme propensão que os islandeses têm para a literatura (todos os anos são publicados 1.000 livros perto do Natal, o que, em termos relativos para uma população de 329 mil habitantes a nível nacional , daria, nos EUA, um milhão de cópias), foi criado o projeto "cityofliterature.is". Reiquejavique tem cerca de 200 mil habitantes. Este programa tem como objetivos apoiar e promover atividades literárias, estimular a cooperação e incentivar novas ligações entre literatura, leitura e escrita, trabalhar com a indústria turística na promoção da cidade como destino cultural e reforçar a cooperação internacional com a UNESCO na participação na Rede das Cidades Criativas.

Reiquejavique é a primeira cidade fora do circuito de inglês-nativo a receber este título permanente ? como consequência, a capital islandesa faz parte do circuito "UNESCO Creative Cities Network". Foi ainda designada pela UNESCO como "Cidade da Literatura", em 2011. O retorno deste investimento está a ser de tal ordem proveitoso, que já chamou a atenção internacional. Filmes como "The Secret Life of Walter Mitty", "Interstellar", "Noah" e "Prometheus" ? já para não falar da popular série "Game of Thrones" ? e artistas como Bjork colocaram a Islândia no mapa.

Reiquejavique faz da literatura o seu cartão de visita, assumindo a sua pequena dimensão (200 mil habitantes). Além de ter atraído diversos filmes e séries de renome mundial, foi designada pela UNESCO como "Cidade da Literatura".

Barcelona tem um historial um pouco mais longo do que Reiquejavique em termos de afirmação cultural. Além de estar num estádio mais avançado do que a capital islandesa, também beneficia de um cruzamento ímpar de culturas, mais acentuado com o fenómeno da globalização. Estas mudanças fazem com que os responsáveis políticos da cidade afirmem ser necessário "procurar gerar um ambiente de vida urbana e de riqueza cultural que favoreça o bem-estar de todos os cidadãos".

Um dos meios encontrados para atingir esse objetivo passou por disponibilizar ferramentas tecnológicas que colocam os cidadãos na primeira linha da oferta cultural. Exemplos concretos são o "BCN Visual" e o "BCN Cultural", lançados recentemente pelo Ayuntamiento de Barcelona. Trata-se de aplicações móveis que permitem meter ?Barcelona num bolso?, com informações que vão desde um guia da cidade, à rede de transportes públicos, a sugestões gastronómicas, até a descrições completas acerca de figuras icónicas como Antoni Gaudí...

Nesse sentido, a PARADIGMSHIFT tem disponíveis soluções mobile, assentes em smartphones e tablets, capazes de proporcionar as melhores escolhas existentes no mercado. A oferta vai desde os processos de governação integrada , ao Cartão do Munícipe ou às ferramentas tecnológicas de suporte à cidadania ativa .

Os responsáveis políticos por Barcelona meteram a cidade "num bolso" e, através de várias aplicações para dispositivos móveis, convidaram os cidadãos locais e os visitantes a participar na vida cultural metropolitana.

As cidades dispõem de diferentes direções estratégicas. Atrações globais podem colocar a cidade no mapa, um evento desportivo ou cultural pode agir como um polo de atração para chamar a atenção do mundo. Mas o município não pode contar apenas com atrações individuais ou eventos; tem que usar estes ingredientes como um ponto de partida para o início de uma viagem mais longa e duradoura. A Cultura e o lazer são excelentes âncoras.

Partilha

Contacte-nos 218 214 932

Envie-nos uma mensagem