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22-05-2017

CAPITAL CONHECIMENTO E PESSOAS

Conhecimento


O investimento no capital humano é a força motriz das cidades. A economia global exige aos decisores políticos a aposta no conhecimento enquanto ferramenta essencial do progresso. Os exemplos são conhecidos, resta saber como adaptá-los à realidade de cada um.


O conhecimento e as pessoas no centro dos municípios. A cidade de Atenas (Grécia) é habitada há mais de 3.400 anos. Brasília recebeu a primeira pedra há pouco mais de meio século (1956). Servem estes exemplos para demonstrar a grande diversidade de cidades que existem em todo o mundo, podendo estas estar alicerçadas em edificações seculares, ou sido construídas com uma perspetiva futurista. Seja qual for a génese de uma cidade, as pessoas constituem a herança mais importante, pois são elas o motor do conhecimento, da troca de informações, a razão do investimento. De acordo com o relatório "UN-Habitat's Global Activities Report", em 2030, cerca de 60 por cento da população mundial viverá em cidades, percentagem que subirá para 70 por cento em 2050. Por isso, sublinham os autores, existe "a necessidade de enfrentar os desafios do desenvolvimento urbano para a redução da pobreza", afirmando mesmo que este é "um passo crucial para alcançar o progresso humano e o desenvolvimento sustentável".

Competir na economia global do conhecimento significa garantir o apropriado desenvolvimento das pessoas, capacidades, habilidades e atitudes. Os líderes das cidades têm de demonstrar que reconhecem a importância de aquisição destas competências e que as mesmas permitem prosperar. Em suma, os órgãos de gestão das cidades precisam assumir a liderança e tornarem-se facilitadores de mudança.

O exemplo de Barcelona é sintomático. Cidade com cerca de 4,2 milhões de habitantes na sua área metropolitana, carateriza-se por ter uma economia baseada no desenvolvimento de uma cultura inovadora, de valor associado ao crescimento de novas indústrias: audiovisual, design, novas tecnologias, etc. E como é que esta meta foi atingida? Através de um trabalho aturado de preparação, com vários anos de planeamento urbanístico, económico, de gestão e de promoção dos valores da cidade. É, pois, com naturalidade que empresas como a Vodafone (comunicações), a Liberty (seguros), a Altran (desenvolvimento tecnológico) ou a Osiatis (gestão de infraestruturas informáticas) reforçam a sua presença em Barcelona ano após ano.

Os governantes devem ser os primeiros agentes de mudança. Para isso, o planeamento é fundamental, como sucedeu em Barcelona, onde desde há cerca de 17 anos existe o projeto "22@", de ligação entre empresas, instituições e cidadãos.

Este processo começou há cerca de 17 anos, quando a capital da Catalunha lançou o projeto "22@", cuja vertente de revitalização social visou criar um ambiente de ligação em rede dos diferentes profissionais que trabalhavam na área metropolitana e de incentivo a projetos inovadores de promoção da colaboração entre empresas, instituições e residentes, bem como organizações sociais, educativas e culturais.

Barcelona ActivaPor detrás de tudo isto estão vários anos e anos de planeamento urbanístico, económico, de gestão e promoção, em que o capital humano e a gestão do conhecimento são os principais ativos. O projeto "Barcelona Ativa" conta com 30 anos de existência e apresenta-se como a organização responsável por impulsionar a política económica e do desenvolvimento local, para "promover a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, fomentando a ocupação, promovendo o empreendedorismo e apoiando às empresas com visão de economia plural". O objetivo do "Barcelona Ativa" é o de impulsionar a atividade económica da cidade, o reforço da cidadania e o reequilíbrio do território, sob a perspetiva de uma economia plural, especialmente a economia social e solidária.

Os ativos sociais dos municípios, ou seja, o capital social que existe nas cidades, não têm uma mensuração fácil, pelo que só uma forte ligação em rede entre decisores políticos e cidadãos possui a capacidade de envolver todos os cidadãos. Foi nesse sentido que Melbourne (Austrália) levou por diante a "Estratégia Cidade do Conhecimento 2014-2018". Quatro grandes eixos estão na sua base: promover a cidade como a capital do conhecimento da região e aumentar a perceção pública dos pontos fortes; ser líder em atividades de inovação; utilizar as redes existentes para o envolvimento do setor do conhecimento; promotor do crescimento de empresas emergentes, fornecendo infraestruturas, informações e apoio financeiro. Resultados práticos: na última década, o número de empregos em Melbourne subiu 26 por cento e a economia vale agora mais 42 por cento do que em 2006!

Em Melbourne, a "Estratégia Cidade do Conhecimento" assenta em quatro grandes eixos, que implicam fatores como liderança e incentivo ao crescimento. Em dez anos, o número de empregos aumentou 26 por cento e a economia valorizou-se 42 por cento.

Para ajudar os decisores locais a optarem pelas melhores soluções para o desenvolvimento das cidades, a PARADIGMSHIFT tem disponíveis no mercado soluções tecnológicas inovadoras, que promovem e facilitam a interação e a troca de conhecimentos. São os casos das redes colaborativas e dos mecanismos associados à Governação Intermunicipal Colaborativa, assentes em tecnologias mobile, através de smartphones e de tablets.

Em Portugal, municípios de várias dimensões têm colocado o rótulo de "cidade do conhecimento" nos seus cartões de visita, mas a verdade é que são poucos os projetos que vão, realmente, além do papel. Lisboa anuncia o "Mapa do Conhecimento e Inovação", mas está ainda no campo das intenções; o Cartaxo publicitou a sua "Cidade do Conhecimento" que ainda não saiu do papel; na Invicta, há o "Porto de Conhecimento", cujos resultados práticos estão por contabilizar...

Em Portugal, os municípios ainda têm um longo caminho para percorrer rumo à "Cidade do Conhecimento". É necessário criar programas de incentivo à inovação, para que as metrópoles sejam ambientes de crescimento sustentável.

Nenhuma cidade está isenta de desafios criados pela globalização. Pouco a pouco, estão a deixar de ser meros prestadores de serviços para serem facilitadores da colaboração e da criação de parcerias necessárias para fornecer esses serviços. A mudança para uma economia baseada no conhecimento requer que as cidades atraiam e desenvolvam empresas e pessoas inovadoras que possam ajudá‐las a avançar no sentido de um crescimento sustentável e de novos postos de trabalho.

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