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02-01-2017

DESMATERIALIZAR OS CENSOS PARA GOVERNAR COM EFICÁCIA

Census


Os recenseamentos das populações constituem um dos marcos mais importantes das políticas nacionais e locais de cada país. Desmaterializar a forma como é recolhida e tratada a informação é o primeiro passo rumo ao futuro.


O próximo grande recenseamento da população dos Estados Unidos acontece apenas em 2020, mas os responsáveis do United States Census Bureau já estão a proceder aos testes dos métodos e equipamentos a serem utilizados pelas equipas no terreno. Em causa vai estar o levantamento exaustivo de todas as áreas da sociedade norte-americana: número de habitantes, idade, condição económica, saúde, educação, habitação, transportes, indicadores industriais, indicadores comerciais, etc. Os dados dos cerca de 324 milhões de cidadãos norte-americanos serão escrutinados por equipas constituídas por vários milhares de técnicos, que recolherão e enviarão a informação recolhida para uma base de dados. Como é que vai ser feito? Através da utilização de tecnologia de desmaterialização de levantamento, recolha e processamento de dados: entrada, edição e disseminação da informação, tabulação e análise estatística. Os responsáveis pelo US Census Bureau garantem que o software utilizado "permite que pessoas com pouca ou nenhuma experiência de computador contribuam para a operação de processamento de dados".

Num país habituado a dissecar em termos estatísticos todos os elementos da sua vida quotidiana, é fundamental que os processos de recolha e tratamento de informação sejam simples, ágeis e de leitura universal. Ao mesmo tempo, é da fiabilidade da informação resultante dos censos que depende o aprofundamento e o conhecimento sobre os diversos indicadores acima referidos. Por isso, é fundamental que estas tecnologias de desmaterialização sejam de leitura universal e que permitam analisar todos os dados relevantes em tempo real: desde a atividade no terreno, passando por relatórios e quadros de forma totalmente automática, com risco calculado e objetivos garantidos.

Esta universalidade na recolha e tratamento da informação permite aos decisores nacionais e locais trabalhar a partir de informação detalhada, factual e rigorosa, para delinear e aplicar estratégias de sustentabilidade do desenvolvimento social e económico a nível nacional, local ou regional. Em Portugal, essa recolha de informação está, basicamente, alojada em dois grandes portais: o Instituto Nacional de Estatística e a Pordata.

Os processos de recolha e tratamento da informação resultante do trabalho das equipas no terreno devem ser simples e de fácil manuseamento, com a possibilidade de os dados estatísticos serem analisados em tempo real.

Num trabalho publicado pela Rockefeller University, a desmaterialização de procedimentos é apontada como a "absoluta ou a relativa redução na quantidade de materiais requeridos para servir as necessidades da economia". Foi o que levou à prática o Ministério dos Negócios Estrangeiros e de Comunicações do Japão, através do seu Gabinete de Estatísticas , que de cinco em cinco anos vai para o terreno recolher e tratar dados acerca da população japonesa.

Tomemos como exemplo a fraca taxa de natalidade nipónica, que é um dos assuntos que mais preocupa os governantes daquele país. Para chegar aos números finais do estado da população infantil do Japão, foi necessário disponibilizar ferramentas standardizadas para o desenho de formulários eletrónicos de recolha de dados, gerir a logística dos meios recenseadores (dispositivos móveis) e dos recenseadores, planear e calendarizar os trabalhos, ativar uma central de controlo das operações lançadas no terreno, criar dahsboards de objetivos e de estatísticas das operações, montar uma central de monitorização das operações e construir um quadro de avaliação do trabalho do recenseador.

No Japão, o trabalho das equipas de recenseamento tem sido aproveitado para a definição de políticas públicas de combate à fraca taxa de natalidade, um dos maiores problemas daquele país asiático.

Após a realização dos trabalhos de recolha de informação no terreno, foi publicado o "Livro Branco da Sociedade Japonesa com a População Infantil em Declínio". É a partir dele que os governantes japoneses podem tomar as melhores decisões para contrariar o declínio da população infantil (planos para ajudar a criar filhos), elaborar planos para a educação saudável dos jovens, promover medidas para os idosos, racionalizar os sistemas de pensões e dos cuidados de saúde ou aplicar programas de apoio à população infantil. Mas não só: o uso dos dados recolhidos nos censos (sexo, idade, força de trabalho, quadro industrial e comercial) permite a elaboração de políticas municipais de longo prazo e planos de consolidação social.

Voltemos ao caso dos Estados Unidos, mas agora centrados nas perspetivas de evolução do mercado de trabalho numa visão de muito longo prazo, para se perceber a importância dos censos e de como a fiabilidade dos dados recolhidos influencia a tomada de decisões. O Departamento de Estatísticas do Trabalho tem publicado um artigo no qual analisa as taxas de fertilidade e de mortalidade da população norte-americana, taxas essas cruzadas com os números da imigração. A primeira leitura é conclusiva: a população residente vai diminuir e até 2022 as duas faixas de população (norte-americanos nativos e emigrantes) serão em número idêntico, pelo que é necessário adaptar as políticas industriais de criação de emprego a esta nova realidade.

Mas não se pense que a informação recolhida em ações como as acima descritas ficam em circuito fechado. O mesmo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos anuncia que qualquer cidadão pode entrar na sua base de dados e aceder aos dados publicados, pesquisar vários conjuntos de dados de uma só vez (por palavra-chave, filtro de tópicos) e descarregar a informação que lhe for mais conveniente.

Nos Estados Unidos, país habituado a gerar enorme volume de dados estatísticos, os resultados dos censos servem para, por exemplo, prever a capacidade de trabalho dos norte-americanos dentro de meio século.

As tecnologias de desmaterialização de levantamento, recolha e processamento de dados constituem uma ferramenta poderosa de conhecimento e avaliação das sociedades. Através da sua aplicação em ações como os recenseamentos, os responsáveis políticos nacionais e regionais (ao nível dos municípios) têm a possibilidade de desenharem estratégias de sustentabilidade económica e social para as populações que governam.

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